domingo, 9 de maio de 2010

As mães, o meu carinho.


Minha Mãe

Vinicius de Moraes


Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Tenho medo da vida, minha mãe.
Canta a doce cantiga que cantavas
Quando eu corria doido ao teu regaço
Com medo dos fantasmas do telhado.
Nina o meu sono cheio de inquietude
Batendo de levinho no meu braço
Que estou com muito medo, minha mãe.
Repousa a luz amiga dos teus olhos
Nos meus olhos sem luz e sem repouso
Dize à dor que me espera eternamente
Para ir embora. Expulsa a angústia imensa
Do meu ser que não quer e que não pode
Dá-me um beijo na fonte dolorida
Que ela arde de febre, minha mãe.

Aninha-me em teu colo como outrora
Dize-me bem baixo assim: — Filho, não temas
Dorme em sossego, que tua mãe não dorme.
Dorme. Os que de há muito te esperavam
Cansados já se foram para longe.
Perto de ti está tua mãezinha
Teu irmão. que o estudo adormeceu
Tuas irmãs pisando de levinho
Para não despertar o sono teu.
Dorme, meu filho, dorme no meu peito
Sonha a felicidade. Velo eu

Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Me apavora a renúncia. Dize que eu fique
Afugenta este espaço que me prende
Afugenta o infinito que me chama
Que eu estou com muito medo, minha mãe.


O poema acima foi extraído do livro "Vinicius de Moraes - Poesia completa e prosa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 186.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

A santidade pode ser sentida de uma forma tão simples aos olhos humanos...


Caí em mim,(finalmente) quantos livros de auto-ajuda li e reli, quantos filmes com histórias extemamentes comoventes, que quase sempre os recomendavam a outras pessoas. Quanta coisa imposta pela minha maneira de emocionar-se com o fictício, com a utopia, ah!, e como era bom, e ainda é, faz um bem geral para o crescimento tão esperado "o de aprender a ser gente".
Mas o que quero destacar por meio dessas palavras, foi a maneira como me comportei em um dia tão comum, como qualquer outro existente em minha rotina.
Paradigmas sobre como se deve ser diante do mundo,esse que gira com tal agilidade, como a de um menino jogando pelada e louco para fazer um golaço, se vão em questões de segundos, quando se tem em mente o que eu, por um momento tive e espero que ande comigo a léguas e léguas.
O que aconteceu afinal?
Num dia belo, calmo e rotineiro sentado em um balanço e rodeada por crianças, (eu diria outro nome á elas, anjos seria o mais apropriado), pude sentir de verdade o vento a soprar em minha face, uns grãozinhos de areia surgindo em meu rosto e os risos incontáveis fazendo um som magnifíco aos meus ouvidos, foi ai, que pude engolir a alegria de ser e estar ali, naquele instante, daquela maneira com aqueles seres celestiais, não sei porque (ou talvez tenha a ceretza do porque)aquela emoção se apoderou de minh'alma, senti, toquei e pude ser tocada pelo que chamamos de fé.
Á partir daquele momento,tratei de prestar mais atenção em tais complexidades e levezas que o simples traz a vida, o terno sentimento de gratidão partindo de mim para Deus, para a fé, a astúcia em acreditar que eu posso prevalecer em meio aos caos sem que ele me atinja, posso beber da água mais pura e cristalina que não se acha nem mesmo na melhor mina existente nesse mundo, pois só se bebe, quando se sente o simples, se aspira o singelo ar de gentileza em que vemos e professamos nos pequenos gestos existentes na mais ampla forma de olhar as coisas que Deus criou,e que nos proporciona a cada segundo,e a cada milésimo de centésimo com um total zelo e cuidado, que não se deve nem por decreto descuidar-mos de cada um deles...

Jacque.