domingo, 28 de março de 2010

Discurso do Papa João Paulo II aos jovens

Precisamos de Santos sem véu ou batina.
Precisamos de Santos de calças de ganga e tênis.
Precisamos de Santos que vão ao cinema, ouvem música e passeiam com os amigos.
Precisamos de Santos que coloquem Deus em primeiro lugar, mas que se "lancem" na faculdade.
Precisamos de Santos que tenham tempo todo dia para rezar e que saibam namorar na pureza e castidade, ou que consagrem sua castidade.
Precisamos de Santos modernos, santos do século XXI, com uma espiritualidade inserida no nosso tempo.
Precisamos de Santos comprometidos com os pobres e as necessárias mudanças sociais.
Precisamos de Santos que vivam no mundo, se santifiquem no mundo, que não tenham medo de viver no mundo.
Precisamos de Santos que bebam coca-cola e comam hot dog, que usem jeans, que sejam internautas, que escutem disc man.
Precisamos de Santos que amem apaixonadamente a Eucaristia e que não tenham vergonha de tomar um refrigerante ou comer uma pizza no fim-de-semana com os amigos.
Precisamos de Santos que gostem de cinema, de teatro, de música, de dança, de desporto.
Precisamos de Santos sociáveis, abertos, normais, amigos, alegres, companheiros.
Precisamos de Santos que estejam no mundo; e saibam saborear as coisas puras e boas do mundo, mas que não sejam mundanos...

(Papa João Paulo II, in memoriam)

A Personalidade aqui inserida.

Alguém ai, sabe como se forma uma personalidade? ou formulando melhor essa pergunta como se forma o Ser Humano?
Porque toda essas perguntas, causam em nós tanta inquietude e ao mesmo tempo ânsea em ter a resposta exata para tais?
Será que é porque todos pensam e não sentem?
Não se importe com as melhores respostas o tempo se encarregará de torná-las vísiveis ou não, a seus olhos, o que vale mesmo, é que á partir delas poderá haver uma mudança, radical, diria até mesmo, brusca em varios aspectos para a humanidade, fazendo por merecer cada uma delas.

Jacque.

sábado, 13 de março de 2010

Raquel

Pensei essas coisas porque minha filha Raquel vai fazer aniversário. Nome de filho é feito bolso de menino: tem muita coisa guardada lá dentro.

No meu bolso chamado Raquel há coisas alegres, há coisas tristes, há coisas bonitas.

Enfio a mão no bolso e me lembro de uma menina de cinco anos filosofando, ao contemplar os espaços sem fim de Campos de Jordão: “Papai, as coisas não se cansam de ser coisas?” só muito mais tarde vi o espanto da Raquel transformado num poema de Fernando Pessoa que dizia ter dó das estrelas, obrigadas a luzir sem parar, sem nenhum descanso...

Enfio a mão de novo no bolso e tiro lá de dentro uma menina de três anos. É cedo de manhã. Seis horas. Ela me acorda. A pergunta que ela tinha para fazer não podia esperar:

“Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades...”

Sem nunca haver tido qualquer contato com a morte ela sabia que nisso estava o seu horror: a saudade. Muitos anos depois ao lado da cama de uma mulher que ia morrer, ela, sem ter ninguém com quem pudesse conversar sobre a sua morte, me perguntou: “ Rubem, será que eu saio dessa?” Ela sabia que não iria sair daquela. Então, por que me perguntava? É que ela queria conversar comigo sobre a morte. Não respondi.Fiz outra pergunta: “Você está com medo de morrer, não está?” “Não”, ela respondeu. “Não esotu com medo de morrer, estou com medo da saudade...”

A Raquel, não sei por que sabedoria astral, sabia que o medo da morte não é o medo da morte;é o medo da saudade: ficar longe daquilo que se ama. Diante do meu silêncio espantado a Raquel concluiu: “Não chore. Eu vou abraçar você.” Escrevi uma estória a partir desse diálogo, A Montanha Encantada dos Gansos Selvagens.

Tiro outra cena do bolso. Uma visita longa, que não terminava nunca. Já estávamos cansados. A Raquel, que até aquele momento estava conosco na sala saiu silenciosamente. Após alguns momentos retornou e disse às visitas em tom de tranqüila franqueza: “Fui à cozinha, tive uma conversa com o relógio e ele me disse que está na hora de vocês irem embora...”

Ah! Que diplomata! Não era ela que desejava que as visitas se fossem. Era o relógio...

Foi para ela que escrevi a minha primeira estória: A Menina e o Pássaro Encantado, que considero a minha melhor estória. Eu viajava freqüentemente para o exterior e ela tinha medo da saudade. O espaço da saudade é o espaço da ausência dos objetos amados. Eles estão longe. E com a saudade vem as fantasias do “nunca mais”. Era isso que repetia o corvo de Poe : “Never more, never more...” O “nunca mais” é ausência sem retorno, a morte. Ela tinha medo que eu não voltasse, que eu morresse. Escrevi a estória para dizer, primeiro, que o pássaro que partia haveria de voltar. Segundo, para dizer que a dor da saudade faz bem ao amor. Depois ela cresceu Ganhou asas. Partiu. Ficou longe muito tempo. Eu tive saudades. Até aprendeu uma língua que eu não falo. E se tornou uma escultora de espaços. Um escultor toma uma matéria, argila, mármore, ferro, e lhe dá uma forma. Os arquitetos usam como sua matéria prima o vazio. O vazio, é o vazio. Não é bonito e nem feio. Os arquitetos colocam coisas no vazio para que ele se torne visível e bonito.Paredes, colunas, aberturas por onde passa a luz, escadas, pontos luminosos, pisos em níveis diferentes: eis uma casa! O arquiteto cria um vazio que é bom para morar. A Raquel é arquiteta, escultora de vazios.


Rubem Alves
Para a Raquel
Correio Popular
06/11/05

A Idéia.

De onde ela vem?! De que matéria brutaVem essa luz que sobre as nebulosasCai de incógnitas criptas misteriosasComo as estalactites duma gruta?!Vem da psicogenética e alta lutaDo feixe de moléculas nervosas,Que, em desintegrações maravilhosas,Delibera, e depois, quer e executa!
Vem do encéfalo absconso que a constringe,Chega em seguida às cordas do laringe,Tísica, tênue, mínima, raquítica ...
Quebra a força centrípeta que a amarra,Mas, de repente, e quase morta, esbarraNo mulambo da língua paralítica.

Augusto dos Anjos.